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Nem toda dor na coluna precisa de cirurgia

Dr. Deoclides·06 de julho de 2026
Dor na coluna

Quando a dor na coluna começa a limitar a sua vida, a primeira dúvida que surge é quase sempre a mesma: vou precisar operar?

A resposta, na maioria dos casos, é não.

Grande parte do meu trabalho como neurocirurgião não é cirúrgico. Pelo contrário: a maioria dos pacientes que chega ao meu consultório com dor na coluna é tratada de forma conservadora e com excelentes resultados. E isso não é um prêmio de consolação — é o caminho correto para aquele caso.

Mas há momentos em que a cirurgia é, sim, o único caminho para devolver qualidade de vida. E nesses casos, não há espaço para incertezas.

Neste artigo, quero explicar como diferenciamos um caso do outro — e o que acontece entre a primeira consulta e a decisão de tratar.

O que a maioria das dores de coluna tem em comum

A coluna vertebral é uma estrutura complexa: vértebras, discos, nervos, músculos e ligamentos trabalhando juntos. Quando algo sai do equilíbrio, a dor aparece. E ela pode ter muitas causas diferentes.

A boa notícia é que a maioria dessas causas responde bem ao tratamento sem cirurgia. Isso inclui:

  • Hérnia de disco sem compressão nervosa significativa
  • Dor lombar por sobrecarga muscular ou postural
  • Escoliose leve a moderada em fase de acompanhamento
  • Estenose de canal em estágio inicial
  • Dor cervical por tensão ou desgaste

Nesses casos, o tratamento conservador — fisioterapia, medicação adequada, mudanças de hábito, acompanhamento clínico — resolve a dor e devolve a função.

Quando a cirurgia é indicada

A indicação cirúrgica acontece quando o quadro do paciente preenche critérios clínicos específicos. Não é uma decisão tomada na primeira consulta, e nunca deveria ser.

De forma geral, avaliamos a cirurgia quando:

A dor é intensa e não cede ao tratamento conservador Quando o paciente já fez fisioterapia, usou medicação correta e o tempo adequado passou sem melhora, a cirurgia entra como próximo passo.

Há compressão nervosa com déficit neurológico Fraqueza nas pernas ou braços, formigamento persistente, perda de reflexos — esses sinais indicam que um nervo está sendo prejudicado e pode haver dano permanente se não tratado.

Há perda de controle da bexiga ou intestino Essa é uma emergência cirúrgica. A síndrome da cauda equina exige intervenção imediata.

A deformidade compromete a qualidade de vida Em casos de escoliose avançada ou cifose grave, quando a deformidade afeta a respiração, a mobilidade ou causa dor intratável, a correção cirúrgica é o caminho.

Os exames confirmam a indicação A imagem (ressonância magnética, tomografia) precisa confirmar o que o exame clínico sugere. Nunca operamos só pelo exame de imagem sem correlação com os sintomas do paciente.

Como funciona o diagnóstico no meu consultório

Quando um paciente chega com dor na coluna, o primeiro passo é sempre o mesmo: entender a história clínica com profundidade.

Isso significa ouvir com atenção onde dói, quando começou, o que piora e o que melhora, quais tratamentos já foram feitos. E então analisar os exames com cuidado — não apenas o laudo, mas as imagens em si.

Só depois dessas etapas definimos a conduta. E essa conduta pode ser:

  • Encaminhamento para fisioterapia
  • Ajuste de medicação
  • Infiltração guiada por imagem
  • Acompanhamento clínico com novos exames
  • Ou, quando necessário, avaliação para cirurgia

O diagnóstico preciso é sempre o primeiro passo. E ele é o que protege o paciente de uma cirurgia desnecessária — e de um adiamento quando a cirurgia é a indicação certa.

O que você pode fazer agora

Se você está com dor na coluna, o mais importante é não tomar decisões baseadas no medo, nem o medo de operar, nem o medo de não operar.

Procure um especialista, traga seus exames, conte sua história. Uma avaliação cuidadosa é o que define o melhor caminho para o seu caso.

Se você tem dúvidas sobre o seu caso, estou disponível para avaliação em Recife, no Esmere e no Neuron. O primeiro passo é sempre uma consulta.

Conclusão

A neurocirurgia de coluna evoluiu muito. Os procedimentos são cada vez mais seguros e precisos. Mas essa tecnologia só faz sentido quando aplicada para o paciente certo, no momento certo, com a indicação correta.

Se a cirurgia não for necessária, não deve ser feita. E se for necessária, deve ser feita com segurança e planejamento.

Esse é o princípio que guia cada caso no meu consultório.